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CONTO - O BRILHO DA LUZ QUE ME APAGOU

PROJETO - Nem tudo é sobre SEXO Abri o editor de texto... passei alguns minutos encarando a tela branca do computador. Eu sabia o que escrever, mas me faltava coragem. Olhei a foto dela no porta-retratado, cuidadosamente colocado na escrivaninha. Eu sabia que ela iria querer isso. Aliás, esse sempre foi o seu desejo: ter sua história narrada por mim. O meu egoísmo, no entanto, não me deixava compartilhar os seus segredos. Queria guardá-los para mim, apenas para mim.             Saber que eu era a única pessoa que conhecia seus segredos, trazia-me um sentimento de intimidade, de proximidade com ela. E eu não queria perder isso. Olhei novamente a foto dela a me encarar, não tinha jeito, eu teria que escrever. Ela sempre foi muito convincente. Nunca precisou falar uma palavra para convencer-me a fazer a sua vontade, bastava olhar-me que eu obedecia. Não tinha como fugir do seu olhar congelado na fotografia.     ...

UMA CRÔNICA DE DESIGUALDADE

Foi-se o tempo em que era necessário ir para rua para salvar o Brasil. O clamor de todos é para que se fique em casa. Estamos nos escondendo da maior ameaça da história recente à humanidade: o coronavirus. De que forma vamos sair dessa crise sanitária ainda não sabemos, o que se sabe é que se as pessoas não circulam, o vírus também não circulará. Daí a recomendação de muitas autoridades da saúde e da política para ficarmos em casa.  No entanto, o ficar em casa escancara, no Brasil, um problema já antigo: a desigualdade social. E nasce um dilema em meio a essa crise toda: como ficar em casa sem ter o que comer? Ou muitas vezes sem ter nem mesmo uma casa adequada, visto que milhões de brasileiros vivem amontoados em pequenos casebres, o que se configura por si só uma aglomeração doméstica. Em relação a isso, o governo federal criou um auxilio emergencial de R$ 600,00 para que essas pessoas pudessem ficar em casa.  E a questão da desigualdade social que ficou evidente...

Um aglomeração de abraços e sorrisos!

Olá, queridos leitores, sinto-me mais próximo de vocês a cada texto escrito, pois a palavra é um carinho na alma, um afago no coração. E agora sabemos que os poetas sempre tiveram razão quando diziam que "quem ama quer está perto" e quando afirmaram que o "melhor lugar do mundo é dentro de um abraço". Hoje sabemos o quanto faz falta abraçar e estar perto das pessoas que gostamos.  Sinto falta do meu trabalho, dos meus alunos que me estressavam. Sinto falta de meus colegas que sempre destetei, sinto falta de conviver. Tenho saudades até mesmo dos passeios chatos com amigos, muitos eu ia apenas para agradá-los, mas agora descubro que amava passear com eles. Não sabia que sentiria tanta falta da família reunida, dos parentes chatos e fofoqueiros. E até mesmo das brigas. O vírus chegou e nos colocou em um casulo. É preciso evoluir. Como sairemos desses casulos? Não sei se melhor ou pior, mas de uma coisa eu tenho certeza: valorizarei muito a presença das pesso...

Por que ler S. Bernado, de Graciliano Ramos?

Criado por uma negra doceira, Paulo Honório foi um menino órfão que guiava um cego e vendia cocadas durante a infância para conseguir algum dinheiro. Depois começou a trabalhar na duro na roça até os dezoito anos. Nessa época ele esfaqueia João Fagundes, um homem que se envolve com a mulher com quem Paulo Honório teve sua primeira relação sexual. Então é preso e durante esse período aprende a ler com o sapateiro Joaquim. A partir de então ele passa somente a pensar em juntar dinheiro. Saindo da prisão, Paulo Honório pega emprestado com o agiota Pereira uma quantia em dinheiro e começa a negociar gado e todo tipo de coisas pelo sertão. Assim, ele enfrente toda sorte de injustiças, fome e sede, passando por tudo isso com muita frieza e utilizando de meios antiéticos, como ameaças de morte e roubo. Após conseguir juntar algumas economias, retorna a sua terra natal, Viçosa, com o desejo de adquirir a fazenda São Bernardo, onde tinha trabalhado. Para tanto, Paulo Honório inicia uma a...

DEVOLVA MINHA ALMA

Tereza espreguiçou-se. Um raio de sol em seu rosto avisava que a muito já tinha amanhecido. E insistentemente tentava acordá-la, avisando que lá fora o domingo pedia um passeio. Era preciso olhar a rua, ver o céu sem nuvens, o vai e vem das pessoas. Ela puxou o lençol e bloqueou a claridade do sol que entrava por um pequena brecha na janela. O quarto estava meio claro, meio escuro, dando a sensação de nem noite e nem dia. Era assim que ela gostava: saber que era dia, mas continuar dormindo. Virou para o outro lado da cama e se embrulhou dos pés à cabeça. Apesar de estar um dia ensolarado ela sentia muito frio.  O lençol agora bloqueava o sol. O cheiro de carne frita que vinha da cozinha era impossível bloquear. E ela ficou sentindo o aroma da carne sendo frita ao mesmo tempo em que ouvia o chiado da panela de pressão. Provavelmente, estavam cozinhando feijão. Por mais de uma vez ela quis levantar. Suas pernas estavam sem força e ela sem nenhuma disposição. Não sabia o que...

DOIS MUNDOS

A vida é um livro gigante de personagens já prontos. Quando nasce uma nova criança, um perfil para ela já está escrito. Vai estudar para ter um bom emprego e construir uma família. E existe uma grande retaliação contra as pessoas que se negam a seguir esse roteiro pré-existente. São consideradas estranhas. Perversas. Abominação. Quem nunca ouviu falar de uma tragédia tendo como vítimas mulheres, gays, negros, bruxos...? E o que essas pessoas fizeram foi apenas tentar fugir do roteiro de vida imposto a elas.  A sociedade há séculos aprendeu olhar apenas para frente, e isso não é uma metáfora para indicar que o olhar está voltado para o futuro. Não. Olhar para frente, no sentido literal, ignorando tudo o que está fora do campo de visão. E abominando o que ainda não compreende. Tudo o que não se pode ver e muito menos explicar, a sociedade condena. Por medo, talvez. Ou por arrogância. Quando eles não sabem sobre algo dizem simplesmente que não existem. E essa explicação deve ...

PERFIL, de Daniele Pereira / Nilson Rutizat

https://www.amazon.com.br/dp/B086RZYY5G/ref=cm_sw_r_wa_awdo_t1_VVBIEbNZSD88S Estamos a cada dia mais familiarizados com a internet. E já não estranhamos em sermos convidados a acessar o perfil de uma pessoa, empresa ou organização. Isso é tão comum que até desconfiamos das empresas que não têm perfil em uma rede social. Mas não falamos isso em tom de crítica, citamos apenas como exemplo de uma mudança de comportamento e organização da sociedade no século XXI. Quer pegar um carro, chama um UBER. Se é comida o que queres, peça no IFOOD. Se quer conhecer alguém, siga-o no Instagram. Quer bater um papo, chame a pessoa no WhatsApp. E nem se atreva a comprar CD. Se quer ouvir música, escolha uma plataforma de streaming: Spotify, Youtube... e onde ver filmes? Netflix, Youtube, Amazon, Telecine... a maneira de consumir cultura mudou com a internet, o que não é diferente com os livros. Assim como serviços, filmes e músicas, os livros podem ser comprados e lidos na internet, em si...